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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Falta de comunicação

Olá amigos,

Como vocês considerariam o seguinte cenário?

As pessoas montam uma empresa e aproveitam a carteira de clientes que já possuíam quando trabalham como funcionários de outra empresa. Todos felizes e satisfeitos com o negócio promissor.

É um cenário até corriqueiro de quem dá uma guinada e parte para o sonhado negócio próprio.

O que muitos não reparam, até porque a maioria dos empreendimentos não dura tantos anos, é o fato da deterioração na comunicação.

É a velha história: Sempre funcionou assim. Quando ocorre algum problema, procuram quem é o responsável.
A lógica cartesiana de buscar bodes espiatórios e justificar com o mínimo esforço.

Quando o negócio atravessa uma década, ou mais, sorte desse empreendedor. Pode parecer que é uma vantagem, um domínio do talento sobre o mercado. Porém, pode gerar arrogância e prepotência.

Há empresas pequenas que mandam email aos colaboradores para buscar e manter a qualidade.
Nada errado nisso e o exemplo é até benéfico. Só não pode ser usado para transferir a responsabilidade.
Se o dono do negócio não sabe executar, a luz vermelha de advertência permanece acesa no mercado, menos na cabeça dele. E nesse ponto, mora o perigo maior. A comunicação não chega a ele (pelo menos os fatos como acontecem realmente, apenas justificativas e relatos elaborados para tirar o de cada um "da reta"). Isso porque foi criado um sistema feudal de vassalagem e suserania, onde um manda e o outro obedece.

As microempresas são lugar de inovação e não de ordens limitadoras. E na prestação de serviço, a criatividade deve dar o tom. Não significa que as normas devem ser eliminadas. Deve haver flexibilidade.

A comunicação nas pequenas empresas corre um grande risco quando as pessoas que trabalham próximas criam hierarquias e engessam o relacionamento, atribuindo resposabilidades exdrúxulas que servem apenas para demarcar território.

Exemplo disso é o uso inadequado do email, que facilita e sustenta um grande mercado, mas que se torna inútil e cria barreiras para empresas que gostam de paredes virtuais.

Pessoas que ocupam a mesma sala ou o mesmo andar, responsáveis diretos por assuntos comuns deixam de compartilhar informações, simplesmente porque na cabeça de cada um, tudo está bem definido e se outro não fizer, azar o dele.

Então, há necessidade de uma análise mais profunda do comportamento de quem coordena (e até manda) na empresa de pequeno porte. A ilusão de que está cumprindo o papel do empreendedor, muitas vezes cega e substitui competências por poder de decisão ou de "criador de relações de dependência", mais adequadas à época do regime militar.

Empresas gigantescas pregam que seus executivos, CEO, CFO, chairman etc devem observar a natureza básica do negócio e dirigir o próprio carro, pegar o lixo e jogar no devido lugar... São coisas simples, mas que são ignoradas pela megalomania de microempresários, que além de sufocar a comunicação, atravanca o trabalho e decreta até que a empresa não crescerá mais, uma obviedade nesse contexto, pois acreditam que está de bom tamanho, que em time que está ganhando não se mexe... e adotam posturas que praticamente impedem o progresso.

O empreendedor deve observar a natureza do seu negócio como organismo vivo e não apenas como fonte de riqueza e status.

Grande abraço!

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