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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A importância da leitura

Olá amigos,

Descobri a importância da leitura quando folheei pela primeira vez, o jornal Financial Times, aquele jornal inglês com folhas coloridas, a mesma cor do Brasil Econômico.

Esta não é nenhuma tentativa para mostrar uma falsa erudição, nem escrevo isso para fingir humildade, pois como Golda Meir disse, não é preciso ser tão humilde, pois não somos tão grandes assim.

O fato é que a diagramação daquele jornal era muito interessante. Na primeira página, bem antes do Twitter, os textos bem sintetizados e claros, informavam o contexto da notícia. Algumas palavras e o leitor procurava direto a notícia, na página indicada.

Talvez a habilidade de resumir ideias em 140 caracteres, que muitos usam com maestria, esteja relacionada a essa técnica. Como ser persuasivo em poucas palavras? Pois bem, ninguém que fala muito ou escreve muito, consegue ser muito persuasivo. Há discursos que duram mais de uma ou duas horas e única lembrança é a ansiedade de ir embora. Bons oradores falam dez minutos e muitos lembram das palavras durante anos.

Para escrever e falar bem, é preciso ter uma boa base, tanto no vocabulário, quanto nas experiências de vida.
Porém, é preciso cuidado, pois não se deve confundir "quantidade" de livros ou qualquer outro material lido, como base de conhecimento. O aproveitamento do que é lido depende do interesse e capacidade de abstração.

Não gosto muito dessa simplificação, mas é um artifício: a abstração, mas deve haver mais que isso. O que é lido deve gerar emoção e reflexão.

O grande problema é, muitas vezes, a vontade de tirar conclusões sem tentar interpretar o sentido do texto.
É muito comum resumir como "gostei", "não gostei" e diversas outras variações.

No caso de obras conceituadas e livros escritos por mestres como Umberto Eco, a falta de interesse pelo assunto ou familiaridade pode tirar a atenção do leitor, pois são obras densas e a quintessência do pensamento literário.

Todo bom livro cria a chance de reflexão. É comum o desperdício na leitura, quando os meramente críticos destacam pontos que são obscuros só para esse tipo de leitor. Por falta de compreensão do contexto. O livro parece que deve ser autoexplicativo. Muitas vezes sim, mas alguns textos são exclusivos para os iniciados e profundamente curiosos.

Já dizia um escritor, que se o livro não vende, é ruim.

Há vários aspectos e essa "verdade" se aplica na maioria deles. No entanto, livros que exigem conhecimento específico antes da leitura, por mais que tenha uma qualidade e nível de excelência, não vai vender tanto.

O comportamento mais pernicioso de um leitor "em formação" é o desprezo por algo que não conhece. Nem podemos chamar alguém assim de leitor. Não querer aprender e repudiar as ideias, apenas por não tem base para questionar ou debater, é uma lástima inominável.

Para aproveitar a leitura, é preciso querer ir fundo, ter curiosidade, buscar intensidade na leitura. O resultado será uma melhora na habilidade na hora de escrever.

É como um artista no palco: a intensidade e emoção que ele sente em cada trabalho, a vivência mental do conteúdo do script, a memória das experiências e as projeções que realiza ajudam a desenvolver seu trabalho.

A leitura pode funcionar e dar resultados assim também.

Até a próxima.

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