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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Dono do trabalho? Por que não?

Olá pessoal,

É muito bom quando trabalhamos fazendo o que desenvolve nosso talento, mesmo que as habilidades sejam consideradas como talento apenas pelo fato de dar prazer em realizar esse tal de "trabalho".

Hoje eu vejo pessoas que trabalham em áreas que um dia eu desejei estar. Meu amigo Sandro é um exemplo. Desenhista e ilustrador profissional, seus trabalhos são conhecidos em vários países, graças ao talento e às mídias digitais que ajudam a divulgar suas habilidades. Admiro imensamente quem trabalha com comunicação visual, desde os mais simples logotipos bem produzidos até a arquitetura e artes plásticas. E todo tipo de manifestação artística, desde o movimento corporal a shows requintados.

Lembro quando estava no segundo grau (faz um pouco de tempo...rs) e meu sonho era ser designer, adorava desenhar carros e os colegas elogiavam. Porém, não considerava um talento. Alguns amigos até diziam que eu tinha traço próprio e "certo dia", um desenhista profissional sugeriu que eu expusesse os desenhos na Oficina Cultural Oswald de Andrade, no Bom Retiro.

Foi um incentivo muito grande, não realizei e logo depois, ingressei na faculdade (Faculdade de Tecnologia de São Paulo), onde descobri que não era desenho técnico e nem cálculo, o que me motivava. Não eram a razão da minha existência. E a faculdade? A Fatec viu um aspirante a Tecnólogo em Projetos de Mecânica abandonar o curso e procurar a área de Marketing. Logo depois, comecei a trabalhar em um ramo totalmente diferente, mas não menos interessante: a tradução. E assim a vida seguiu até hoje. O desenho ficou limitado às aspirações e rabiscos que faço para desestressar.

Sorte a minha, também, por não ter seguido a área de desenho e ilustração. Seria muito difícil concorrer com alguém como o Sandro, cujo trabalho é reconhecido por Maurício de Sousa e está presente em redes de TV como a Record, só para citar alguns exemplos. Impressiona, o gabarito do homem. Seus trabalhos geram emoções sadias, graças ao grande talento lapidado desde a infância.

Todo trabalho, assim como o relacionamento interpessoal, requer muita dedicação. Não basta desejar algo e simplesmente achar que todos os nossos pedidos serão atendidos. A busca consiste em entender os requisitos para realizar o projeto, conhecer as exigências do mercado e saber em que contexto tudo é executado.

O talento pode ser visto como um dom, é verdade que é um tipo de dom, mas esse dom é desenvolvido graças ao esforço de cada um. A pessoa pode ter todos os dons possíveis, mas se deixar levar pela excessiva autoconfiança, poderá passar os anos apenas contando seus "potenciais" talentos e ficar imaginado tudo o que poderia ter sido, que jamais será pelo simples fato de nunca nada ter sido como se pensava.

Não há como desenvolver um trabalho, sem envolvimento total, com sonhos à luz do dia e a cada manhã, com pensamentos que o acompanham durante o dia até a hora de dormir. O vínculo emocional com aquilo que fazemos é essencial para obter o sucesso desejado.

Aprendi muito estudando formas para melhorar a tradução e a comunicação. Esse talento, considerei importante. Fazia parte de mim, desde a infância e essa vontade sempre foi mais forte do que a de desenhar.

Não escolhemos nossos talentos, claro. Porém, apesar de muitas dificuldades que encontramos em cada jornada, tudo acaba contribuindo para conhecermos mais detalhes sobre "nosso" trabalho. Sim, nosso, porque escolhemos e decidimos fazer da forma que fazemos. Isso é importante e aprimora nossas habilidades, aprofundando nossa especialização.

Ao tomar "posse" do trabalho, ou seja, ao lidar com o trabalho como se fosse um ativo, uma propriedade, é mais fácil assumir os eventuais erros e identificar onde essas falhas ocorrem. Assim, pode exemplo, desde que comecei a entender o modus operandi, o avanço ficou mais acelerado. Sendo proprietário do seu trabalho e assumindo a responsabilidade pelas ações, a visão externa sobre seu trabalho também se fortalece. As pessoas reconhecem quem se compromete e cumpre as exigências. Mais que isso, facilita a melhoria contínua e a superação das expectativas.

E o sucesso é decorrente da excelência na execução do trabalho e percepção de quem necessita desse trabalho, de que ele foi realizado satisfatoriamente ou melhor, com qualidade acima dos padrões exigidos. Isso garante um boa avaliação.

Avalie sempre seu trabalho. Os feedbacks são apenas consequência.

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